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Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia. Com Eduardo Barretto e Leticia Fernandes

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Brasil não consegue ser mediador na crise da Venezuela, diz pesquisadora da USP

Em entrevista à Coluna do Estadão, Marsílea Gombata diz que Brasil deve se limitar a condenar ataques sem fechar diálogo com EUA, o que Lula fez neste sábado, 3

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Foto do autor Roseann Kennedy
Foto do autor Eduardo Barretto

Ataques a Caracas e ao mausoléu de Hugo Chaves

EUA atacam Venezuela e capturam Maduro. Crédito: Reprodução Redes Sociais | @Rep_Stansbury

A professora Marsílea Gombata, que leciona Relações Internacionais na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), afirmou neste sábado, 3, que o governo brasileiro não consegue ser um mediador na crise da Venezuela, que foi atacada e teve o ditador Nicolás Maduro capturado pelos Estados Unidos. Gombata disse que o Brasil deve se limitar a condenar os ataques sem fechar o canal de diálogo com os EUA, o que o presidente Lula (PT) fez mais cedo.

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“Acredito que a etapa de o governo brasileiro ser mediador já passou. Os EUA retiraram à força o presidente da Venezuela. O que o governo brasileiro pode fazer é condenar de maneira estratégica os ataques sem fechar os canais de diálogo com o governo americano. Em outros tempos poderia liderar uma posição conjunta na região, mas esse cenário parece distante hoje”, afirmou a professora, que também é pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI) da Universidade de São Paulo (USP).

Gombata disse que ainda não há clareza sobre quem assumirá o poder na Venezuela após a captura de Maduro. Formalmente, o papel cabe à vice-presidente, Delcy Rodríguez, o que não deve satisfazer a Casa Branca, segundo a professora.

“Não vai ser um processo tranquilo”, disse, acrescentando que Maduro “claramente” não deveria estar mais no poder, mas essa decisão cabe aos venezuelanos.

“Quem assume é a vice, Delcy Rodríguez, mas acho muito difícil que essa seja a solução definitiva que vai satisfazer o governo americano. Imagino que pode haver algum esforço para tentar trazer de volta para o país e levar ao governo o Edmundo González (opositor de Maduro que foi reconhecido presidente pelos EUA), que está na Espanha, e a María Corina Machado, que há poucos dias deixou o país para receber o Nobel da Paz na Noruega. Mas não vai ser um processo tranquilo. As próximas semanas serão bem tensas na Venezuela”.

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Leia os principais trechos da entrevista

Quem assumirá no lugar de Maduro?

Quem assume é a vice, Delcy Rodríguez, mas acho muito difícil que essa seja a solução definitiva que vai satisfazer o governo americano. Imagino que pode haver algum esforço para tentar trazer de volta para o país e levar ao governo o Edmundo González (opositor de Maduro, que foi reconhecido presidente pelos EUA), que está na Espanha, e a María Corina Machado, que há poucos dias deixou o país para receber o Nobel da Paz na Noruega. Mas não vai ser um processo tranquilo. As próximas semanas serão bem tensas na Venezuela

O que é motivo de preocupação para o Brasil?

Com certeza o ataque como um todo é motivo de preocupação para o Brasil. Um ataque a um país vizinho não interessa ao Brasil, que pode vir a sofrer consequências de uma piora da situação econômica e política no País. A questão é como o governo brasileiro vai se posicionar.

O governo brasileiro pode se colocar como intermediador de alguma forma na crise?

Acredito que essa etapa de o governo brasileiro ser mediador já passou. Os EUA retiraram à força o presidente do país. O que o governo brasileiro pode fazer é condenar de maneira estratégica os ataques sem fechar os canais de diálogo com o governo americano. Em outros tempos poderia liderar uma posição conjunta na região, mas esse cenário parece distante hoje.

Há motivo para temer a situação nas fronteiras?

Não diria temer, mas com certeza as fronteiras ficarão muito mais movimentadas, com venezuelanos tentando deixar o país pelo Brasil e pela Colômbia. Teremos mais venezuelanos desesperados tentando deixar o país.

Maduro é acusado de crimes nos EUA. Mas acho que uma questão maior permeia esse ponto: até que ponto os EUA têm o direito de decidir quem será o presidente de um país? Maduro claramente não deveria estar mais no poder. Mas quem tem de decidir isso e como mudar isso são os venezuelanos.

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Marsílea Gombata, professora da FAAP e pesquisadora da USP Foto: Renan Alves
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